sábado, 24 de setembro de 2011

Medo Absurdo

Dizem que um filme de sua vida inteira passa diante dos seus olhos momentos antes da sua morte. Acho que não só os momentos bons, mas também os ruins. Como fosse pra você ver o quanto de merda que fez e que não pode mais consertar, como se você tivesse a oportunidade de se arrepender pela ultima vez e sofrer mais um pouco ou apenas para te dizer de final que pronto! Isso foi o que você viveu seu motivo de orgulho ou de vergonha. Eu acredito que aconteça algo parecido quando se está prestes a perder algo, não somente a vida em si, mas algo muito importante, pessoas, oportunidades, coisas que te deixariam com aquela sensação de ter deixado escapar, perdeu o tempo certo, passou batido e infelizmente não tem mais volta. Quando você verdadeiramente sente isso, esse medo que algo de ruim possa acontecer é como um sexto sentido, você sofre por antecipação, talvez uma preparação, a preocupação é um cuidado necessário para prevenir, seu subconsciente se armando para se defender do pior. De alguma forma é doloroso, você não faz idéia do que seja, e a angustia de que a qualquer momento pode chegar e de qualquer direção, não se pode dormir, sossegar, e quando você acha que tudo é uma grande coisa idiota da sua cabeça, que você está delirando, vendo vultos onde não tem, a pancada vem. Aquele sonho ruim que você tanto torceu que não se realizasse, você via acontecendo e se recusava aceitar. Você dizia não e não repetidas vezes enquanto se afastava presenciando tudo indo por água abaixo e que mais uma vez veio. Você estava certo, todos os alarmes de alerta não eram falsos, e... Droga! Dói. Mas não é surpresa nenhuma, de alguma forma você estava preparado pro que viesse. Todo o pré-sofrimento, que também era sofrimento, surgira como forma de te levar a fazer algo, não aceitar parado, tentar mudar o curso das coisas, fazê-lo lutar para impedir. E quando você consegue ouvir todos esses sinais e evitar, você sim é um cara de sorte.
Todo o caminho que se traça na vida te leva a ver que pessoas vêm e vão, entram e saem do seu mundo, algumas te ajudam em apenas determinadas partes do caminho, outras então se tornam tão importante a ponto de serem vitais e a ausência delas significaria vazio. Então dizem que não há buraco que não se possa fechar, e que ninguém é insubstituível, o que torna toda consideração que você cultiva por alguém totalmente descartável. Mas não! A vida é um quebra-cabeça onde as pessoas são as peças, e peças únicas, então se você perde uma peça perfeita da sua vida, você talvez nunca mais esteja completo e viver incompleto é de extrema tristeza. Quando as pessoas entram na sua vida e ficam, automaticamente vão carregando todo o peso de seu afeto e sua estima. Parte de você é entregue de forma balanceada com o nível de envolvimento, e o que você dá, o que é conquistado de você é algo único que não se dá exatamente na mesma medida para outras pessoas, cada um consome a parte que lhe cabe. O que acontece é que com o passar do tempo acontece uma acomodação sentimental, você começa bastante cuidadoso criando raízes, logo obtém confiança, e inevitavelmente se torna seguro de tudo, não que todo o sentimento tenha sido jogado no lixo, só que primeiro eles ficam subentendidos, e à medida que essa segurança vai aumentando eles vão ficando cada vez mais ocultos, e quando menos se espera parece que você não sente mais nada. Quando se está enraizado dificilmente um sentimento pode acabar sem mais nem menos. Só que o que você esquece é que um sentimento não simplesmente começa e estagna, ele evolui constantemente e se você para de cultivá-lo ele pode morrer, como se fizesse todo um alicerce e se construísse o primeiro piso, para construir o segundo seria preciso reforçar as estruturas e se você pular a etapa dos alicerces e for subir outros andares, pode até consegui levantar um, dois, mas o terceiro certamente sem estrutura suficiente tudo virá abaixo. Seria como se você estivesse o tempo todo alicerçando seu sentimento para subir mais um nível, relacionamentos tendem a serem temporários pela falta de estruturas.  Só na hora em que as paredes começam a tremer é que você lembra que existe algo muito grande que você deixou se ocultar. O desespero bate afinal algo muito valioso está em jogo, algo tão valioso que poderia definir como você passaria o resto da vida, e só a idéia de não ter razão pra ser feliz é cicuta. É isso! A razão de estar vivo é ser e fazer alguém feliz, e perder a razão de ser feliz seria o mesmo de não ter motivos pra viver, talvez todo o filme que passa nos olhos antes da morte seja o ultimo cálculo que definiria o resultado de tudo o que se viveu, se valeu ou não a pena. 

terça-feira, 26 de julho de 2011

Escravo de suas emoções

Nada preocupa mais que a falta do autocontrole, do momento em que você consegue restabelecer equilíbrio entre o pensar e agir, do varrer e limpar o vidro quebrado no chão. É incrível saber que nada mudaria, e ainda assim reações diferentes a idênticas situações ocorreriam, tudo a partir de um ponto estranhamente relevante: o seu estado emocional, o nível de envolvimento que você tem com a ocasião. A mente humana é por natureza egoísta, o bom senso assume a função de tentar colocar as coisas no lugar, medir pesos e conseqüências decisivas, assim automaticamente procura o próprio bem, evita a dor e o sofrimento por saber que não é algo bom e encontra o lugar seguro, a cápsula protetora, longe do perigo de se machucar, você está aquém aos clichês sentimentais e bla bla blas exagerados altamente suspeitos, a ponto de repudiá-los, sua mente assume por assim dizer o controle, o grau de importância de atitudes e pensamentos estão devidamente balanceados, num processo auto-protetor completamente natural.
A intervenção começa a partir da quebra contratual das emoções com a razão, a mente quem domina o corpo sendo desbancada pela canseira do pulsar melancólico de um órgão menos desenvolvido e ao mesmo tempo demasiadamente complexo, um perfeito golpe de estado, o inicio do caos, os membros que outrora te obedeciam, já não respondem aos seus comandos, você se flagra fazendo coisas que comprometeriam a segurança trabalhosamente conquistada. Sua boca, perfeito porta voz de seus pensamentos lhe traindo e denunciando seus sentimentos. Seus pés, comprometidos cavalos, agora desembestados correm atrás do perigo. Seus braços, sempre fieis escudeiros baixam guarda e lhe deixam exposto aos ataques. Seus olhos, astutos franco-atiradores entregam as armas ao inimigo. O controle foi destruído, sua mente foi aprisionada e escravizada, seu peito agora exposto recebe flechadas, pontadas que inconvenientemente demonstrariam sua fragilidade. Até que então acontece o esperado, a queda, o brokenhearth, o fim. Você se envergonha de seus atos, de cada ato que lhe consagrariam um tolo, um idiota, um homem tombado. Sua fortaleza foi invadida, Tróia está em chamas, Jerusalém sitiada, e a humilhante suplica pela volta da antiga gestão. Mas você está acabado, sem forças, desacreditado, em pedaços. Tudo aquilo que tanto evitou estava acontecendo, seu maior medo se tornou seu algoz, as ruínas continuariam até que a solução enfim fosse encontrada. O tempo passar. Em passos de formiga você se levanta, em breve sua fortaleza estará reconstruída, e você bem mais forte, todo o terrível acontecimento lhe levaria a não confiar tanto no seu coração traiçoeiro, que estaria trancafiado e vigiado se recuperando de todas as feridas de guerra. Em outros tempos você estaria mais susceptível e vulnerável, agora com segurança redobrada todos os portões de desembarque seriam revistados e somente o considerado seguro poderia entrar em seus domínios.
Enfim, você veria sua saga acontecendo em outras pessoas e só assim poderia saber o que estaria acontecendo, dizer com toda certeza que você entende. Enxergaria o quão babaca foi, e veria mais babaquice ainda desacreditando um dia ter se encontrado na mesma situação. Agora como alguém menos envolvido, faria tudo diferente, porém a situação ainda seria a mesma, a sua reação que mudaria. Você que tanto pensou que algo nunca aconteceria com você, que você nunca se permitiria passar por tanta coisa, começa a compreender que não depende só de você, que por mais que você brigue, esperneie e diga que não, no final dependerá da forma como o seu coração vai reagir, e se a sua mente estará suficientemente preparada para manter o autocontrole.


terça-feira, 19 de julho de 2011

Estou só com meus princípios


Aqueles momentos em que você se flagra solitário, o clima e o horário proporcionam certa fragilidade de espírito, em que você sente toda a ânsia de fugir de alguma dor, mas por algum motivo se acomoda. Todos os romances policiais, filmes e musicas parecem terem sido feitos pra você, para algum episódio da sua vida, algo tão impressionante que você, somente você sabe o peso que aquilo possa significar naquela exata ocasião, ninguém mais seria capaz de compreender e querer explicar só pioraria ainda mais sua tentativa. A força da pancada é tão forte, que somente com muito esforço você conseguiria deixar passar batido, fingir que aquilo não foi pra você, desviar o olhar, desconversar... Comichão dentro do peito abafado por alguma maquiagem. Porém quando nem assim se puder evitar, inquietação das mãos ou pernas, necessidade de redirecionar atenção pra algum outro membro do seu corpo, respiração apertada a ponto de sufocar, dilatação das glândulas endócrinas, ardência dos olhos e a dor terrível que vem direto do âmago até que num inevitável orgasmo emocional: a lágrima. Rios dela. Nada seria melhor que a chuva para disfarçá-las, esconde-las, desaparecer por algum instante sem ser notado, tão egoísta a ponto de ocultar-se. Crying in the rain também foi escrita pra você. Motivos teria, compreensão? Talvez não. Você se cala, morde a mão, mas ainda sente necessidade de soltar tudo que está preso. Quando enfim não suporta mais cospe ao mundo em palavras, muitas vezes não apreciadas e compreendidas. É exatamente nesse momento que você entende que tudo aquilo foi feito pra você, só pra você, alguém poderia até entender, mas não saberia o quanto significaria, qual importância requereu, quantos levels o seu jogo subiu. Mesmo assim você grita exprime tudo o que pode e como pode. Somente depois das lágrimas vem o alívio imediato e a leveza dos braços, você teria se livrado de um peso imensurável. Se afeiçoaria com toda essa odisséia a ponto de considerá-la morfina. E primeiro viria o costume, depois a extrema necessidade de sentir todas essas sensações novamente para conseguir se sentir em paz. O vicio chamado masoquismo sentimental. Compreensão? Concerteza não. E você... bem, você estaria só... assim como eu.


segunda-feira, 18 de julho de 2011

O ócio que corrói



Já são três horas da manhã e ainda aqui na cama com a mesma roupa que desde ontem não troco. Pensando no amanhã, no eu querer levantar, mas levantar para quê? Pra fazer o que sempre faço? Pra pensar no que todo dia tenho pensado - _Hoje eu faço algo de novo! – e nunca ponho em prática? Pra conversar com as mesmas pessoas, ouvir o mesmo papo furado que ouço todos os dias sobre o fim estar próximo, e que preciso me preparar? Enfim, pra que ter que fazer tudo isso se no final eu vou acabar aqui na minha cama em um outro hoje tendo que me refazer essas perguntas? Chega! Está na mais do que na hora de levantar, e cumprir um tostão da minha sina. Tenho 22 quase 23, como o tempo tem passado rápido! E o que eu fiz de produtivo? Nada! Trabalho em algo que não tenho formação e nunca me especializei em nada, uma das únicas coisas que tenho, é um violão que nem é meu e todo tempo do mundo pra ficar me fazendo perguntas que sei as respostas e que me recuso a respondê-las. Realmente a vida não é um livro vinte e quatro horas, acontecem coisas que os livros não relatam, talvez eu precise ser um pouco mais claro, algumas coisas acontecem em nossas vidas, que preferíamos que não tivessem acontecido, pessoas, mundos, vidas diferentes, unidas por acaso. A vida sim imita o filme, uma hora ou outra nos flagramos com cara de paisagem, por saber que em algum lugar do universo cinematográfico existe você vivendo os clixês da dramaturgia, e se espelhando nos sentimentos triviais que lhe remetem cada cena identificavel, aquela cara que só você sabe fazer porém não consegue imitar se tentar... é a cara da angustia, do sofrimento de sua vida vivenciado pelo personagem e do receio disso vir a tona.