terça-feira, 26 de julho de 2011

Escravo de suas emoções

Nada preocupa mais que a falta do autocontrole, do momento em que você consegue restabelecer equilíbrio entre o pensar e agir, do varrer e limpar o vidro quebrado no chão. É incrível saber que nada mudaria, e ainda assim reações diferentes a idênticas situações ocorreriam, tudo a partir de um ponto estranhamente relevante: o seu estado emocional, o nível de envolvimento que você tem com a ocasião. A mente humana é por natureza egoísta, o bom senso assume a função de tentar colocar as coisas no lugar, medir pesos e conseqüências decisivas, assim automaticamente procura o próprio bem, evita a dor e o sofrimento por saber que não é algo bom e encontra o lugar seguro, a cápsula protetora, longe do perigo de se machucar, você está aquém aos clichês sentimentais e bla bla blas exagerados altamente suspeitos, a ponto de repudiá-los, sua mente assume por assim dizer o controle, o grau de importância de atitudes e pensamentos estão devidamente balanceados, num processo auto-protetor completamente natural.
A intervenção começa a partir da quebra contratual das emoções com a razão, a mente quem domina o corpo sendo desbancada pela canseira do pulsar melancólico de um órgão menos desenvolvido e ao mesmo tempo demasiadamente complexo, um perfeito golpe de estado, o inicio do caos, os membros que outrora te obedeciam, já não respondem aos seus comandos, você se flagra fazendo coisas que comprometeriam a segurança trabalhosamente conquistada. Sua boca, perfeito porta voz de seus pensamentos lhe traindo e denunciando seus sentimentos. Seus pés, comprometidos cavalos, agora desembestados correm atrás do perigo. Seus braços, sempre fieis escudeiros baixam guarda e lhe deixam exposto aos ataques. Seus olhos, astutos franco-atiradores entregam as armas ao inimigo. O controle foi destruído, sua mente foi aprisionada e escravizada, seu peito agora exposto recebe flechadas, pontadas que inconvenientemente demonstrariam sua fragilidade. Até que então acontece o esperado, a queda, o brokenhearth, o fim. Você se envergonha de seus atos, de cada ato que lhe consagrariam um tolo, um idiota, um homem tombado. Sua fortaleza foi invadida, Tróia está em chamas, Jerusalém sitiada, e a humilhante suplica pela volta da antiga gestão. Mas você está acabado, sem forças, desacreditado, em pedaços. Tudo aquilo que tanto evitou estava acontecendo, seu maior medo se tornou seu algoz, as ruínas continuariam até que a solução enfim fosse encontrada. O tempo passar. Em passos de formiga você se levanta, em breve sua fortaleza estará reconstruída, e você bem mais forte, todo o terrível acontecimento lhe levaria a não confiar tanto no seu coração traiçoeiro, que estaria trancafiado e vigiado se recuperando de todas as feridas de guerra. Em outros tempos você estaria mais susceptível e vulnerável, agora com segurança redobrada todos os portões de desembarque seriam revistados e somente o considerado seguro poderia entrar em seus domínios.
Enfim, você veria sua saga acontecendo em outras pessoas e só assim poderia saber o que estaria acontecendo, dizer com toda certeza que você entende. Enxergaria o quão babaca foi, e veria mais babaquice ainda desacreditando um dia ter se encontrado na mesma situação. Agora como alguém menos envolvido, faria tudo diferente, porém a situação ainda seria a mesma, a sua reação que mudaria. Você que tanto pensou que algo nunca aconteceria com você, que você nunca se permitiria passar por tanta coisa, começa a compreender que não depende só de você, que por mais que você brigue, esperneie e diga que não, no final dependerá da forma como o seu coração vai reagir, e se a sua mente estará suficientemente preparada para manter o autocontrole.


terça-feira, 19 de julho de 2011

Estou só com meus princípios


Aqueles momentos em que você se flagra solitário, o clima e o horário proporcionam certa fragilidade de espírito, em que você sente toda a ânsia de fugir de alguma dor, mas por algum motivo se acomoda. Todos os romances policiais, filmes e musicas parecem terem sido feitos pra você, para algum episódio da sua vida, algo tão impressionante que você, somente você sabe o peso que aquilo possa significar naquela exata ocasião, ninguém mais seria capaz de compreender e querer explicar só pioraria ainda mais sua tentativa. A força da pancada é tão forte, que somente com muito esforço você conseguiria deixar passar batido, fingir que aquilo não foi pra você, desviar o olhar, desconversar... Comichão dentro do peito abafado por alguma maquiagem. Porém quando nem assim se puder evitar, inquietação das mãos ou pernas, necessidade de redirecionar atenção pra algum outro membro do seu corpo, respiração apertada a ponto de sufocar, dilatação das glândulas endócrinas, ardência dos olhos e a dor terrível que vem direto do âmago até que num inevitável orgasmo emocional: a lágrima. Rios dela. Nada seria melhor que a chuva para disfarçá-las, esconde-las, desaparecer por algum instante sem ser notado, tão egoísta a ponto de ocultar-se. Crying in the rain também foi escrita pra você. Motivos teria, compreensão? Talvez não. Você se cala, morde a mão, mas ainda sente necessidade de soltar tudo que está preso. Quando enfim não suporta mais cospe ao mundo em palavras, muitas vezes não apreciadas e compreendidas. É exatamente nesse momento que você entende que tudo aquilo foi feito pra você, só pra você, alguém poderia até entender, mas não saberia o quanto significaria, qual importância requereu, quantos levels o seu jogo subiu. Mesmo assim você grita exprime tudo o que pode e como pode. Somente depois das lágrimas vem o alívio imediato e a leveza dos braços, você teria se livrado de um peso imensurável. Se afeiçoaria com toda essa odisséia a ponto de considerá-la morfina. E primeiro viria o costume, depois a extrema necessidade de sentir todas essas sensações novamente para conseguir se sentir em paz. O vicio chamado masoquismo sentimental. Compreensão? Concerteza não. E você... bem, você estaria só... assim como eu.


segunda-feira, 18 de julho de 2011

O ócio que corrói



Já são três horas da manhã e ainda aqui na cama com a mesma roupa que desde ontem não troco. Pensando no amanhã, no eu querer levantar, mas levantar para quê? Pra fazer o que sempre faço? Pra pensar no que todo dia tenho pensado - _Hoje eu faço algo de novo! – e nunca ponho em prática? Pra conversar com as mesmas pessoas, ouvir o mesmo papo furado que ouço todos os dias sobre o fim estar próximo, e que preciso me preparar? Enfim, pra que ter que fazer tudo isso se no final eu vou acabar aqui na minha cama em um outro hoje tendo que me refazer essas perguntas? Chega! Está na mais do que na hora de levantar, e cumprir um tostão da minha sina. Tenho 22 quase 23, como o tempo tem passado rápido! E o que eu fiz de produtivo? Nada! Trabalho em algo que não tenho formação e nunca me especializei em nada, uma das únicas coisas que tenho, é um violão que nem é meu e todo tempo do mundo pra ficar me fazendo perguntas que sei as respostas e que me recuso a respondê-las. Realmente a vida não é um livro vinte e quatro horas, acontecem coisas que os livros não relatam, talvez eu precise ser um pouco mais claro, algumas coisas acontecem em nossas vidas, que preferíamos que não tivessem acontecido, pessoas, mundos, vidas diferentes, unidas por acaso. A vida sim imita o filme, uma hora ou outra nos flagramos com cara de paisagem, por saber que em algum lugar do universo cinematográfico existe você vivendo os clixês da dramaturgia, e se espelhando nos sentimentos triviais que lhe remetem cada cena identificavel, aquela cara que só você sabe fazer porém não consegue imitar se tentar... é a cara da angustia, do sofrimento de sua vida vivenciado pelo personagem e do receio disso vir a tona.